Promotor
Município de Penafiel
Breve Introdução
O bilhete único para o encontro confere admissão em todos os momentos, incluindo o almoço volante no dia 16.
Nota: Após a aquisição do seu bilhete, contacte-nos para [email protected] indicando eventuais restrições alimentares ou qualquer outra informação relevante para a sua participação.
Pela segunda vez, o Ponto C dedica um fim-de-semana em maio para aliar práticas artísticas inclusivas à inscrição do placemaking cultural na vivência urbana. Contando com especialistas em planeamento e espaço público, arte participativa e criação (em dança, cinema e música) de e com pessoas com necessidades específicas, a edição 2026 atualiza e recoloca no ponto certo o debate sobre o bem comum. Em Penafiel.
Programa / Cartaz
O que acontece aos lugares quando alguns corpos permanecem invisíveis?
As cidades constroem-se a partir de presenças e ausências. Nem todos os corpos circulam com a mesma liberdade, nem todas as experiências encontram espaço para permanecer. A invisibilidade é uma condição urbana produzida por decisões acumuladas, por modelos de desenho e uso do espaço público, por práticas culturais e sociais que definem quem é reconhecido, quem participa e quem fica fora do campo do visível. O Coordenadas parte desta realidade para pensar a cidade como um sistema vivo, atravessado por relações, conflitos e possibilidades de transformação. Quando alguns corpos permanecem invisíveis, os lugares perdem complexidade, diversidade e capacidade de gerar bem-estar coletivo.
Enquanto programa de pensamento, criação artística e encontro profissional, o Coordenadas cruza reflexão crítica, conteúdos artísticos e momentos de networking, criando um espaço onde artistas, técnicos, decisores, agentes culturais e comunidade se encontram para pensar e experimentar outras formas de relação com o território. A cidade é entendida simultaneamente como contexto, matéria de trabalho e palco de ação. O placemaking estrutura este programa como metodologia de trabalho, articulando criação artística, participação e transformação urbana. Através de conversas, apresentações de casos, performances e ações artísticas, o Coordenadas promove uma leitura crítica do espaço público e das suas dinâmicas, explorando de que forma as práticas culturais podem contribuir para cidades mais acessíveis, mais inclusivas e mais habitáveis. Os convidados – locais, nacionais e internacionais – serão divulgados nas redes sociais do Ponto C e em https://coordenadaslab.pt/.
dança :: auditório
sex 15 maio (10h)
Bichos
Dançando com a Diferença
coreografia Rui Lopes Graça
interpretação Aléxis Fernandes, Bárbara Matos, Bernardo Graça, Gleidson Vigne, Joana Caetano, Laura Ávila, Rui João Costa, Sofia Marote, Telmo Ferreira luz Cristóvão Cunha, Nuno Meira
máscaras Robert Allsopp
Diferentes entre si nas suas particularidades, estes bichos são todos parte da mesma Arca de Noé, caminhando numa luta comum pela vida e pela liberdade. Inspirado em Bichos, de Miguel Torga, o espetáculo reflete sobre a condição humana através de animais humanizados em confronto com a sociedade, com a natureza e com o Divino. Seres regressados à sua essência selvagem e à pureza dos instintos, na coreografia de Rui Lopes Graça.
Duração: 50‘
M/6
acessibilidade - AD
documentário :: APADIMP
sex 15 maio (15h)
Com Amor, Medo
realização Telmo soares
O documentário Com Amor, Medo acompanha a digressão europeia dos 5ª Punkada, banda nascida na Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra, ao longo de concertos na República Checa, Hungria, Eslovénia e Luxemburgo. Num mundo em que estamos cada vez mais distantes, conhecemos uma banda que nos tira o tapete e nos ensina empatia. Os 5ª Punkada, numa tour pela Europa, dão-nos a possibilidade de os conhecer intimamente e abrem uma janela para o mundo do artista com deficiência. O filme revela o quotidiano de uma banda que transforma obstáculos em criação: viagens, concertos, ensaios, momentos de tensão e de alegria. Entre a preparação de um novo disco e a memória do álbum Somos Punks ou Não? (Omnichord, 2021), o documentário mostra como a música se torna um espaço de liberdade, expressão e resistência num percurso artístico feito contra muitas das barreiras que continuam a permanecer invisíveis no quotidiano.
documentário e debate :: casa da caturra
sex 15 maio (18h30)
1731 – Luz ao Fundo do Túnel
realização Eduardo Costa, Associação Olho.te
produção executiva Hugo Andrade
Documentário sobre o envolvimento dos moradores do bairro social da Nazaré, no Funchal, em processos de arte participativa que transformaram o modo como a vizinhança se vê e estima o seu espaço público. Idosos isolados, crianças e jovens em situação de vulnerabilidade ou insucesso escolar e indivíduos com dificuldades de acesso ao mercado de trabalho desenvolvem talentos e resgatam a identidade e o orgulho do bairro.
À projeção do filme, segue-se uma conversa com o público.
para imagens:
Duração:55’
M/3
documentário e conversa :: casa da caturra
sex 15 maio (21h30)
SuperNatural
realização Jorge Jácome
produção Dançando com a Diferença, Teatro Praga
Habitando nos limites esbatidos entre documentário e ficção, este filme experimenta com a forma (entre curiosidades, videoclips e confissões) recordando que foi inicialmente pensado como um espectáculo para o palco e não para a tela. A luxúria autóctone da flora da Madeira é onde se abrem as possibilidades de pensar em tudo aquilo que consideramos ser “natural” – e se não deveríamos expandir essa noção para ser muito mais abrangente. A obra do jovem realizador foi distinguida com o prémio da crítica no 72.º Festival de Cinema de Berlim.
Duração: 85’
M/12
abertura :: casa da caturra
sáb 16 maio (10h)
Pensar o território em comum
Alexandra Almeida, Vereadora da Câmara Municipal de Penafiel
O Coordenadas começa com um momento de boas-vindas que abre o programa e coloca a cidade no centro da conversa. Durante três dias, Penafiel torna-se espaço de pensamento, criação e experimentação em torno da forma como habitamos o território e de quem encontra, ou não, lugar no espaço público. Entre cultura, espaço público e participação, o laboratório propõe olhar para a cidade como lugar vivo, feito de relações, experiências e possibilidades de transformação. É a partir deste gesto inicial que se inicia o percurso coletivo do encontro, questionando também aquilo que permanece invisível na forma como desenhamos e vivemos os lugares.
mesa redonda :: casa da caturra
sáb 16 maio (10h15)
Visíveis: corpos, criação e acesso
Francisco Frazão, tradutor e programador
Marc Brew, coreógrafo, Marc Brew Company
Zia Soares, encenadora, Teatro Griot
Moderação Carla Miranda, programadora cultural
A criação artística tem vindo a abrir novas possibilidades para pensar a acessibilidade e a diversidade no campo das artes performativas. Esta mesa redonda reúne artistas e profissionais do setor para refletir sobre práticas de criação que colocam diferentes corpos, experiências e linguagens no centro do processo artístico. Entre criação, programação e relação com os públicos, a conversa aborda desafios concretos enfrentados por artistas e estruturas culturais, bem como estratégias que têm contribuído para tornar os contextos de criação e apresentação artística mais abertos, inclusivos e representativos da diversidade da sociedade.
case study :: casa da caturra
sáb 16 maio (12h)
Corpos na educação, docentes e discentes
T. Angel
Introdução Henrique Amoedo, Dançando com a Diferença
Como pode uma pessoa ressignificar a sua experiência de sofrimento, sarando as feridas numa sociedade excludente? Neste case study teremos o privilégio de ouvir a experiência de T. Angel, professora brasileira que decidiu lecionar no colégio onde sofreu bullying quando era adolescente. Pessoa “periférica”, freak e trans não-binárie, T. Angel nasceu no Brasil em 1982 e atua como professora e gestora de coordenação pedagógica desde 2020 na rede estadual de São Paulo. Tem especialização em Educação Inclusiva pela Faculdades Metropolitanas Unidas (2019), é mestra e doutoranda em Educação pela USP. Artista de performance, ativista pelos direitos humanos e dos animais, T. Angel pesquisa há duas décadas a modificação corporal e diferentes usos do corpo. Tem publicado e feito palestras sobre educação, corpo modificado e dissidência de sexualidade e género.
mesa redonda :: casa da caturra
sáb 16 maio (14h30)
Acessibilidade e representatividade na programação cultural
Hugo Ferreira, Omnichord
Nelson Guerreiro, Tudo Incluído/All Inclusive e Festival Paragem
Sofia Costa, designer
Victor Hugo Pontes, coreógrafo e diretor artístico do Teatro Nacional São João
Moderação: Léa Prisca López, mediadora cultural
A acessibilidade cultural continua a ser um dos desafios centrais para garantir que os equipamentos culturais são verdadeiramente espaços abertos a todos. Esta conversa propõe refletir sobre as condições de acesso aos teatros, abordando barreiras físicas, sensoriais e institucionais que ainda limitam a participação de muitos públicos. A partir de experiências práticas no domínio da criação e da programação artística, exploramos caminhos para tornar os espaços culturais mais inclusivos, considerando a acessibilidade não apenas como adaptação técnica, mas como parte integrante das políticas culturais e das estratégias de relação com artistas e públicos.
case study :: casa da caturra
sáb 16 maio (16h)
Arquiteturas (in)visíveis
Andreia Garcia, Architectural Affairs
Introdução Bruno Costa, Bússola
Andreia Garcia é arquiteta, curadora, editora, investigadora e professora universitária, atualmente na Universidade do Minho. Na sua prática, que articula projeto, curadoria e edição, explora formas de mediação entre o território e os seus recursos, num contexto marcado por acelerados avanços tecnológicos e por uma crise ecológica. É doutorada em Arquitetura pela FA-UL. A sua tese Espaço Cénico, Arquitectura e Cidade foi distinguida com o Prémio Prof. Manuel Tainha. Em 2016 fundou o atelier Architectural Affairs e co-fundou a Galeria de Arquitectura, dedicada à reflexão crítica sobre cidade e território, ambos sediados no Porto. Desenvolve uma prática curatorial regular, destacando-se a representação portuguesa na Bienal de Veneza em 2023, com o projeto Fertile Futures (dedicado à escassez e gestão da água doce no território português) e a Trienal de Arquitectura de Tirana em 2027 intitulada Architectures of the Invisible.
masterclass :: casa da caturra
sáb 16 maio (17h)
Cidades inclusivas: experiência, acesso e perceção
Carmen Papalia
Moderação Mónica Guerreiro, Ponto C
Como se vive a cidade quando a perceção do espaço não depende da visão? Esta masterclass propõe uma reflexão sobre acessibilidade e inclusão a partir da experiência direta do corpo no espaço urbano, questionando as formas dominantes de orientação, mobilidade e relação com a cidade. Carmen Papalia é um artista cego de Vancouver cuja prática se centra na utilização de modos alternativos de navegação sem pistas visuais. A partir de práticas artísticas e experiências em contexto urbano, a intervenção de Papalia explora como diferentes formas de percecionar o território podem revelar barreiras invisíveis e abrir novas possibilidades de pensar sobre acesso, autonomia, vida independente e participação no espaço público.
documentário e debate :: casa da caturra
sáb 16 mai (17h30)
Uma Casa com a Rua lá Dentro
realização André Moniz Vieira
produção Andreia Miranda, Estúdio 21 – Associação Musical e Cultural das Ilhas
Este documentário acompanha uma jornada artística vivida com pessoas em situação de sem-abrigo e de exclusão social. Através do encontro com artistas, antropólogos e sociólogos, histórias de vida são transformadas em ficções pelas ferramentas do teatro e do cinema, demonstrando como as narrativas são poderosas – e a arte pode restituir dignidade, pertença e inclusão.
À projeção do filme, segue-se uma conversa com o público.
Duração: 45’
m/3
música :: auditório
sáb 16 maio (21h30)
5ª Punkada
voz, soundbeam Fausto Sousa
teclas Fátima Pinho
guitarra, voz Jorge Maleiro, Paulo Jacob
bateria Miguel Duarte
Os 5ª Punkada são uma banda de punk rock nascida há 27 anos na Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra. Com instrumentos convencionais e adaptados, compõem e interpretam temas originais, movidos pelo sonho de qualquer banda: ensaiar, gravar discos e fazer-se à estrada. Fundada por Fausto Sousa, que desafia os limites da paralisia cerebral para compor, escrever e cantar, a banda conta desde 2008 com Fátima Pinho, anteriormente integrante da orquestra de samples Ligados às Máquinas. A formação fica completa com o guitarrista Jorge Maleiro e o baterista Miguel Duarte, consolidando uma energia irreverente e verdadeiramente punk.
Duração: 60‘
M/6
infantojuvenil :: casa do xiné
dom 17 maio (16h)
O avô tem uma borracha na cabeça
Varazim Teatro
texto Rui Zink
encenação Eduardo Faria
interpretação Eduardo Faria, Joana Soares
música Aníbal Andrade
cenário, marioneta Miguel Tepes
figurinos Adélia Agra, Joana Soares, Raquel Boucinha
luz Eduardo Faria, José Raposo
E quando alguém de quem gostamos nos começa a esquecer? Esta é a história da amizade entre um avô, que lentamente vai perdendo as memórias, e o neto inventor que se dedica a descobrir uma cura. Através da sensibilidade de uma criança, chega-nos a lição mais importante: o amor é mais forte do que o esquecimento. Teatro, música ao vivo e marionetas no espetáculo que nasceu de um livro de Rui Zink ilustrado por Paula Delecave.
Duração: 45’
M/3
Acessibilidade: AD + LGP
Preços